
O meteorito, batizado de Allen Hills 84001, foi tema de manchetes dos principais jornais do mundo em 1996. Na época, após as primeiras análises, os pesquisadores concluíram que as bactérias eram da própria Terra e teriam contaminado o Allen Hills 84001 no gelo antártico. No entanto, o novo relatório afirma agora que são fortes os indícios da bactéria ter vindo realmente de Marte, noticiou o jornal britânico The Sun. Ainda nesta semana, a Nasa deve anunciar mais resultados sobre o Allen Hills 84001, no Centro Espacial Johnson, em Houston, no Texas.Em meados da década de 90 também foram descobertas, nos Estados Unidos, bactérias estranhíssimas, tremendamente econômicas quanto a sua dieta e necessidades. Aparentemente, esses organismos não usam matéria orgânica alheia (isto é, não são heterótrofos). Mas também não usam a luz do sol e nem energia geotérmica
Seu habitat fica a mais de 1 000 metros de profundidade, sob o leito do Rio Columbia. Lá, em completa escuridão, elas só têm rocha, gás carbônico e água as mesmas substâncias encontradas no subsolo marciano. Mesmo as bactérias que surgem em bocas de vulcões submarinos dependem de outros microorganismos que fazem a fotossíntese. Mas as bactérias marcianas tiram energia do hidrogênio produzido pela reação da água com o ferro das rochas basálticas.
As bactérias conseguem sua energia da seguinte maneira: ocorre uma reação química espontânea entre os silicatos presentes no basalto e a água, havendo liberação de hidrogênio. As bactérias usam este hidrogênio, o combinam com gás carbônico dissolvido na água e fabricam metano. Essa reação libera energia, que as bactérias utilizam para produzir seu alimento orgânico.
Os pesquisadores que descobriram este tipo de bactérias, as cultivaram em laboratório, fornecendo-lhes nada mais do que água e pedaços de basalto moído. A maioria das culturas sobreviveu apenas com esta dieta; no entanto, foram também encontradas algumas espécies que requeriam matéria orgânica, o que faz suspeitar que existam verdadeiros ecossistemas subterrâneos, em que microrganismos de diferentes capacidades, autótrofos e heterótrofos, se relacionam. Esse possível ecossistema recebeu o nome de SLiME, abreviação de subsurface lithoautotrophic microbial ecosystem ou, numa tentativa de tradução, um "ecossistema microbiano litoautotrófico subterrâneo" (lito significa pedra e autotrófico quer dizer que produz seu próprio alimento orgânico).
Foi explicado, então, o porquê de haver metano ou gás natural na região do Rio Columbia. Normalmente, esse gás é encontrado em regiões de rochas sedimentares, ricas em matéria orgânica, contrariamente à região do Rio Columbia, de rochas vulcânicas com pouca matéria orgânica. Se a suposição dos pesquisadores for correta, deve haver uma imensa quantidade de metano na região, de 422.000 km2 de área e 5 km de profundidade, produzido por um ecossistema microbiano subterrâneo.
O que teria tudo isso a ver com a possibilidade de vida em Marte, presente ou passada?
Na realidade, se ainda há algum tipo de vida em Marte, deve se assemelhar muito a essas bactérias pouco exigentes. Todos os ingredientes necessários a essas bactérias estariam presentes no ambiente marciano (será que poderemos um dia falar em ecossistema marciano?). Alguns cientistas da NASA acreditam ser muito possível a existência de alguma coisa parecida com os ecossistemas do tipo SLiME em Marte. Sobra agora o mistério seguinte: como bactérias desse tipo teriam ido parar naquelas profundidades, no caso das rochas vulcâncias de que falávamos? A não ser, é claro, que a vida não tenha se originado nos mares primitivos, como se explica classicamente.
Meteorito Allen Hills 84001.



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