Alan Moore lança site e revista underground - TRAGARTE

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Alan Moore lança site e revista underground

Alan Moore lança site e revista underground

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O site da revista Dodgem Logic entrou no ar esta semana. Na página principal a atração é o vídeo no qual Alan Moore dá uma entrevista com os cabelos repartidos ao meio, um cigarrinho que não parece nada careta e o seu típico maneirismo. Moore comenta sobre as origens e os propósitos da revista e solta a seguinte pérola: "O que o mundo precisa neste momento é de amor, doce amor e de uma revista underground".
Dentro do site você encontra um texto de apresentação, músicas, wallpapers e até páginas para download da primeira edição, além disso, você pode descobrir seu futuro nas cartas do tarô ou com uma daquelas bolas de boliche para a qual você faz perguntas. Para isso, vá  até o fim de cada página e clique numa carta que diz D.I, ela é transparente e fica oculta, portanto preste bastante atenção.
Moore está produzindo a revista, que mais parece um fanzine, junto à editora inglesa Knockabout, que já publicou trabalhos seus, incluindo a última Liga Extraordinária. Entre os colaboradores da revista estão Graham Lineham, criador do seriado The IT Crowd, Kevin O'Neill, desenhista da Liga Extraordinária, Melinda Gebbie, esposa de Moore e alguns amigos (comediantes, escritores e outros autores). A revista possui cerca de 40 páginas e a primeira edição tem como brinde um CD contendo músicas da cidade de Northampton (onde Moore mora e quase não sai) dos últimos 50 anos.

O release da revista é uma obra de arte à parte. Confira abaixo:

Linda e barata como uma prostituta adolescente, Dodgem Logic tem o preço de capa de 2,50 Libras (R$ 7), e seu conteúdo é similarmente adequado ao atoleiro fiscal no qual estamos todos afundando. Colunistas regulares dão receitas deliciosas e de preço módico, conselhos médicos gerais, instruções simples para criar roupas e acessórios estilosos quase do nada, guias para cultivar seu próprio jantar sendo um jardineiro de guerrilha e, na primeira coluna sobre o meio ambiente de Dave Hamilton (The Self-Sufficient-ish Bible), a corajosa experiência de viver sem dinheiro. Esta mesma abordagem de auxílio aos leitores que tem que lidar com o cataclisma sócio-econômico também estará em matérias vindouras sobre o ressurgimento do movimento dos squatters e nas cartas do povo steampunk/pós-civilização sobre a reconstrução da nossa cultura e sociedade antes que elas se percam por completo e nossos filhos se resumam a esmurrar-se com seus X-Boxes inutilizados numa disputa pelo último pacote de miojo.

Em entrevista recente para a revista de humor inglesa Mustard, Moore revelou alguns detalhes de sua nova empreitada, como o fato do nome do fanzine não querer dizer absolutamente nada concreto, sendo apenas um apanhado de idéias que ele queria usar no título de um fanzine de 1975, que acabou não indo à frente. Para ele, a Dodgem seria como uma imprensa alternativa e comunitária, para manter as pessoas informadas dos tempos malucos e insanos em que todos estamos vivendo, sem depender dos jornais locais, ou mesmo os nacionais. Tanto, que uma das idéias dele e de seu time de curadores, é incentivar a produção de fanzines similares em outras partes do Reino Unido… e do mundo, demonstrando um certo plano de dominação mundial na cabeça dele.

A inspiração dele veio da mídia underground e contra cultural dos anos 60, antes das explosões da década seguinte, e o amansamento de tudo nos anos 80, com o falso neo-liberalismo disfarçado de ditadura, perpetrada por gente como Margareth Thatcher e Ronald Reagan. Isso obviamente nos faz pensar em declarações anti-guerra ganhando corpo na revista, mesmo em tempos que Obama ganha Prêmio Nobel, demonstrando que têm certas pessoas que engolem iscas mais facilmente que outras.
Moore entretanto ressalta que o trabalho beira a um manifesto sobre a Anarquia, sobre como viver completamente à margem da sociedade, quase que liso e sem nenhum grana, lembrando experiências similares feitas por John Zerzan, que viveu uma pá de tempo somente vendendo sangue e esperma e lucrando com isso. Mas no fundo no fundo ele não encara a sua obra como um grande manifesto político, sendo mais voltado para as aplicações humanitárias do anarquismo.A revista possui tiragem bimestral e na seção "shop" é possível encomendar Dodgem Logic para entrega no Brasil.
Logo a pergunta óbvia surge: por que não um webzine, ao invés de um fanzine? Certamente os custos seriam muitíssimo mais baratos, o alcance seria muito maior, e seria tudo muito mais fácil… O fato é que Alan Moore e eu - respeitamos o papel, pois bits são coisas intangíveis e meio que etéreas. Fisicamente eles não possuem valores mensurados, e não existem muitas pessoas que estejam dispostas a pagar por conteúdo online, e isso denota que ainda dão mais valor a livros e revistas físicos. E isso inclui dar mais valor ao que está contido dentro, no constante a informação que ele trás. Fora que webzines existem aos montes.
Os artistas e roteiristas escalados para serem curadores da revista receberam liberdade total para escreverem, segundo relatou Moore. E isso gerou coisas “obscenas e bizarras”… Não se deve dizer a Kevin O’Neill faça o que quiser, pois as coisas sairão dos eixos, afirmou ele com todas as letras. Melinda Gebbie fez um artigo sobre o fracasso do feminismo, e o espaço usado por ela será basicamente uma área rotativa onde mulheres poderão escrever artigos sobre temas que bem lhe quiserem, e a idéia do barbudo para o número 2 da revista envolve uma mãe adolescente e seus problemas domésticos. O CD em questão que acompanhará a revista se chamará Nação do Santos e será realmente um apanhado de coisas perdidas da música inglesa nos últimos séculos, especialmente canções que são tocadas em bares meio escondidos nos recônditos de Northampton.
Para a próxima edição, deve rolar um artigo sobre apresentações burlescas - que deve inclusive respingar na capa, fotografada por Mitch Jenkinson, com diversas damas em trajes sensuais. Tem também as páginas feitas pelo povo do Gorillaz, que Moore ainda não adiantou sobre o que serão - e provavelmente nem ele sabe, já que deixou claro que não existem planos rigorosos sobre o conteúdo a inserir na revista, preferindo seguir seus fluidos mentais.



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